domingo, 30 de março de 2008

"Solavanco da Primavera" - Solavanco da Primavera (2002)




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Este é disco que está no meu coração, é um dos meus discos preferidos e que eu mais tenho orgulho de ter feito.
Ficou praticamente do jeito que eu queria, e foi feito com tudo que eu acreditava e acredito, em matéria de caos, espontaneidade e experimentação. Meu objetivo ao fazer o disco era procurar fazer o som mais irritante e incômodo possível e com menos nexo possível, tentando manter ausentes toda melodia, harmonia e ritmo possíveis, e o mais atonal possível. Foi uma grande sorte encontrar o João para topar esta viagem musical. Mas o que possibilitou que o Solavanco da Primavera fosse não apenas mais uma banda experimental, como existem várias pelo mundo, foi o humor, a genialidade, o nonsense e a iconoclastia de Seu Correia.
Um motivo de orgulho é que, ao contrário de vários outros discos que eu fiz, este nunca foi considerado como "legalzinho", "mais ou menos"; as opiniões sempre foram as mais extremas possíveis, veja alguns depoimentos:

"Isto é uma obra-prima. Mutantes é fichinha perto disso." (Gustavo, do selo de noise n0-age)

"Isto é a maior porcaria que eu já ouvi na minha vida." (Roberto Godinho, amigo do trabalho)

"Com esse disco, eu aprendi um novo significado para o termo 'sem concessões'." (Humberto Bulhões, vocalista da banda JunkBonds)

"Foda!" (Guilherme Barrella, Peligro Discos)

"Obrigado pela experiência" (Juan de La Torre, guitarrista da banda L'Aventura)

"Solavanco da Primavera é que nem bosta. O gosto é forte, mas nunca mais se esquece." (Saulo, ex-vocalista e guitarrista da banda Hatersonics)

As sessões foram gravadas no quarto da casa do João, quando Seu Correia estava presente. Seu Correia estava cantando músicas da velha guarda, de nomes como Nelson Gonçalves e Ataulfo Alves, quando eu vi um cavaquinho pendurado num lugar, e um arco de violino no outro, peguei o cavaquinho e o arco de violino, comecei a tocar, tentando fazer uma base caótica e atonal para acompanhar Seu Correia cantando, e aí eu sugeri para o João: "grava aí esse lance". O João começou a tocar teclado e saiu a primeira música deste disco: "No Alto da Montanha Verdejante".
Para "Alô, Chico Xavier!", ligamos o pedal de guitarra na voz do Seu Correia, e colocamos o efeito de eco, no que eu coloquei fazer sons de suspense no teclado, que Seu Correia interpretou como algo meio esotérico, sobrenatural e misterioso e veio o nome da música: "Alô, Chico Xavier!", como se estivesse invocando o grande médium, detalhe: depois dele ter morrido. "Alô, Chico Xavier! Pode vir que nós tamos aqui de carne e osso".
"Depois que Partiste", apesar do título sugerir algo lírico, é uma das músicas mais revoltadas de Seu Correia, em que ele praticamente subverte tudo que existia de lírico e romântico na primeira faixa. Enquanto lá ele cantava "Que saudades da professorinha", aqui ele canta "Que saudades da professorinha, que andava no mato dando as calça pra todo mundo". A música já começa com ofensas ao nosso Ministro da Cultura: "Gilberto Gil, seu pederasta, depravado, energúmeno, vai beijar o Caetano Veloso, seu vagabundo leproso". Na ocasião, estava passando um especial da Tropicália na TV Cultura, e além disso, era época de horário político, então sobra até pro Maluf ("Maluf, seu desgraçado, filho da p..."), e para não perder a sua veia nonsense: "PMN 33, quer dizer Polícia Mastigada Nua".

Ah, e por último, como surgiu o nome Solavanco da Primavera?
Algumas sugestões:
Por que eu moro na Vila Primavera?
Como disse um amigo, tem uma conotação sexual, o Solavanco da Prima Vera?

Bom, quem foi o responsável pelo nome foi o Miller, que também foi responsável pela arte gráfica da capa.
Tinha uma época que fazíamos horas e horas jams de noise, eu e o João na guitarra e o Miller na bateria. Um dia, por um acaso, a gravação foi feita ao contrário, e o som ficou bem peculiar, o Miller ouviu e disse: "o que é isso? Parece um Solavanco da Primavera". Ficamos admirados e percebemos que iria ser o nome da nova banda que estava surgindo.

Integrantes:
Seu Correia - voz, supremo guru, inspiração primaveril, cancioneiro boêmio, paródias e gags humorísticas
Marcelo Scanzani - cavaquinho preparado, teclado, violão preparado, aspirador de pó e efeitos
João Arjona Jr - teclado, baixo, lixa, violão preparado, furadeira e efeitos

Faixas:
1 - No Alto da Montanha Verdejante - 11:41
2 - Alô, Chico Xavier! - 18:13
3 - Depois que Partiste - 18:20
Tempo total: 48:14

domingo, 23 de março de 2008

"Chaotic Sound System" - Chaotic Sound System (2002)



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Chaotic Sound System é uma banda formada com o intuito de tocar noise rock psicodélico em músicas próprias com letras, na maioria, em português influenciadas pelo surrealismo e pela poesia concreta.
Destas músicas, "Space Girl" foi a primeira música que eu compus, e como eu ainda não tinha segurança para escrever letras em português, fiz a letra em inglês, procurei fazer algo psicodélico e pop ao mesmo tempo. "Casa Azul" foi escrita logo depois, e assim como "Fim de Tarde" foram poesias que eu já havia escrito há algum tempo e percebi que poderiam ser encaixadas em músicas que eu estava compondo a partir de experiências com a guitarra que eu estava fazendo na época. "Casa Azul" tem um acorde constante em quase toda a música, esse acorde é um E4 (Mi com quarta) tocada com todas as cordas soltas, exceto a terceira e a quarta que ficam presas na casa 9. "Fim de Tarde" foi uma experiência de fazer uma música com quase que só uma nota, variando mais as suas dinâmicas, e é feita abafando uma casa mais aguda na corda mi mais grave. Dizem que lembra Queens Of the Stone Age.
"Dia Frio" é de composição de Bruno Correia, que usava músicas com seqüências de notas mais complexas, onde eu noto que há uma influência de Trail Of Dead. "Turn Of My Dreams" é uma cover da banda Dog School e foi sugerida por Bruno Correia, que inclusive fez o arranjo da música.
"Chaotic Sound System" foi composta instantaneamente, e foi gravada para mostrar algo que é bastante presente em nossos shows, que são as noise sessions, e dá pra se notar como Sonic Youth é uma grande fonte de inspiração para nós. O técnico de som colocou alguns ecos nas vozes e nos instrumentos que não foram sugeridos, mas que acabaram ficando com um resultado final interessante, inclusive com uns gritos que parecem heavy metal.
Este disco foi gravado para ser a nossa demo.

Faixas:
1 - Casa Azul (Marcelo Scanzani) - 3:03
2 - Turn of My Dreams (cover da banda Dog School - arranjo Bruno Correia) - 2:51
3 - Dia Frio (Bruno Correia) - 3:37
4 - Space Girl (Marcelo Scanzani) - 3:17
5 - Fim de Tarde (Marcelo Scanzani) - 2:45
6 - Chaotic Sound System (Marcelo, Bruno, Guilherme, João) - 8:38

Integrantes:
Marcelo Scanzani - guitarra e voz nas faixas 1, 4 e 5, vocais na faixa 6
Bruno Correia - guitarra e voz nas faixas 2 e 3, vocais na faixa 6
João Arjona Jr - baixo
Guilherme Shiguero - bateria, vocais na faixa 6
Platéia - vocais na faixa 6

Gravado no estúdio Banana Boom, em 2002

domingo, 16 de março de 2008

Pague o quanto quiser... se quiser...

Pessoal,

Por influência da idéia que o Radiohead teve, da pessoa pagar o quanto quiser por seu disco, estou fazendo da mesma forma.
Como a internet é mais prática para disponibilizar os meus discos, decidi colocar todos disponíveis para download. Você pode baixar os discos à vontade, se gostar (quantas vezes vc. gastou dinheiro em um cd e depois não gostou?) e/ou acha que o artista merece receber pela sua obra, por seu trabalho, faça um depósito de qualquer valor em:

Banco Bradesco
Ag: 102-3
C/C: 0056886-4
Marcelo Scanzani Serra / Soelli Scanzani Serra

Mande-me também um e-mail (marceloscan@hotmail.com) dizendo para qual disco o valor depositado é correspondente.

Obrigado,
Marcelo Scanzani Serra

"Meu Coração é Brega" - Olhos de Guaxinim (2002)



O destaque desse primeiro disco do Olhos de Guaxinim é a versão noise rock de 18 minutos do clássico "Garçon" do Reginaldo Rossi. E coloca noise nisso! É uma versão bastante barulhenta e psicodélica. Gravei-a em um momento de fúria, após o término de um namoro de três anos e meio. Liguei para o João, pessoa que tive uma grande sorte de encontrar, pois é uma das poucas pessoas que entende as loucuras sonoras que eu quero fazer, e disse: "Vamos marcar amanhã de fazer um som, mas se prepara porque vai ser muito barulhento, porque estou com muita raiva". E apesar do som estar bem cheio, é apenas voz, uma guitarra e uma bateria. Em parte isso é porque o estúdio dele tem paredes de pedra, que amplifica o som, ao invés de abafar.
A estrutura do disco lembra dos álbuns de rock progressivo e heavy metal dos anos 70, como "In a Gadda-Da Vida", do Iron Butterfly, que tem seis músicas, sendo que no lado A tem cinco músicas, e no lado B, tem só uma música, imensa. Nesse caso, o disco tem pouco mais de 40 minutos, mas só a versão de "Garçon", tem quase a metade, 18 minutos.
Em todo o disco há apenas uma guitarra e bateria, sem baixo. Em todas as músicas, exceto na primeira, na qual eu toco bateria, sou eu quem canto e toco guitarra; e o João toca bateria em todas as faixas, exceto na primeira em que ele canta e toca guitarra.
O disco também tem uma versão da "Menina Veneno", do Ritchie, que começa pop rock, vira reggae, depois ska e finalmente heavy metal, tem uma versão da "Me Dê Motivo", do Tim Maia; tem duas músicas do Falcão, "Holliday Foi Muito", mais conhecida pelo refrão "porque homem é homem, menino é menino, macaco é macaco, e viado é viado"; e também "Quanto Mais Principalmente", e ainda, uma versão valsa-hardcore de "As Rosas Não Falam", do Cartola, que também foi regravada pelo Nelson Gonçalves.
O ano de 2002 foi um ano bem profílico para mim. Criei três bandas e gravei um cd com cada uma delas: Chaotic Sound System, banda de noise rock psicodélico com músicas próprias; Solavanco da Primavera, banda de música experimental improvisada e Olhos de Guaxinim, versões rock de músicas bregas.
Este primeiro disco do Olhos de Guaxinim foi gravado em apenas uma sessão bem espontânea, e como algumas versões ficaram interessantes, decidimos juntar tudo em um álbum.
Infelizmente, a qualidade de gravação está precária, pois foi gravado primeiro em fita cassete, e depois passado para formato digital.

Faixas:
1 - Me Dê Motivo (Tim Maia) - 7:17
2 - Holliday Foi Muito (Falcão) - 3:03
3 - Menina Veneno (Ritchie) - 5:31
4 - Quanto Mais Principalmente (Falcão) - 5:43
5 - As Rosas Não Falam (Cartola) - 1:34
6 - Garçon (Reginaldo Rossi) - 18:10
Tempo total: 41:18

Ficha Técnica:
Marcelo Scanzani - guitarra e voz em todas as faixas, exceto na faixa 1; bateria na faixa 1
João Arjona Jr - bateria em todas as faixas, exceto na faixa 1; guitarra e voz na faixa 1

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