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Este é disco que está no meu coração, é um dos meus discos preferidos e que eu mais tenho orgulho de ter feito.
Ficou praticamente do jeito que eu queria, e foi feito com tudo que eu acreditava e acredito, em matéria de caos, espontaneidade e experimentação. Meu objetivo ao fazer o disco era procurar fazer o som mais irritante e incômodo possível e com menos nexo possível, tentando manter ausentes toda melodia, harmonia e ritmo possíveis, e o mais atonal possível. Foi uma grande sorte encontrar o João para topar esta viagem musical. Mas o que possibilitou que o Solavanco da Primavera fosse não apenas mais uma banda experimental, como existem várias pelo mundo, foi o humor, a genialidade, o nonsense e a iconoclastia de Seu Correia.
Um motivo de orgulho é que, ao contrário de vários outros discos que eu fiz, este nunca foi considerado como "legalzinho", "mais ou menos"; as opiniões sempre foram as mais extremas possíveis, veja alguns depoimentos:
"Isto é uma obra-prima. Mutantes é fichinha perto disso." (Gustavo, do selo de noise n0-age)
"Isto é a maior porcaria que eu já ouvi na minha vida." (Roberto Godinho, amigo do trabalho)
"Com esse disco, eu aprendi um novo significado para o termo 'sem concessões'." (Humberto Bulhões, vocalista da banda JunkBonds)
"Foda!" (Guilherme Barrella, Peligro Discos)
"Obrigado pela experiência" (Juan de La Torre, guitarrista da banda L'Aventura)
"Solavanco da Primavera é que nem bosta. O gosto é forte, mas nunca mais se esquece." (Saulo, ex-vocalista e guitarrista da banda Hatersonics)
As sessões foram gravadas no quarto da casa do João, quando Seu Correia estava presente. Seu Correia estava cantando músicas da velha guarda, de nomes como Nelson Gonçalves e Ataulfo Alves, quando eu vi um cavaquinho pendurado num lugar, e um arco de violino no outro, peguei o cavaquinho e o arco de violino, comecei a tocar, tentando fazer uma base caótica e atonal para acompanhar Seu Correia cantando, e aí eu sugeri para o João: "grava aí esse lance". O João começou a tocar teclado e saiu a primeira música deste disco: "No Alto da Montanha Verdejante".
Para "Alô, Chico Xavier!", ligamos o pedal de guitarra na voz do Seu Correia, e colocamos o efeito de eco, no que eu coloquei fazer sons de suspense no teclado, que Seu Correia interpretou como algo meio esotérico, sobrenatural e misterioso e veio o nome da música: "Alô, Chico Xavier!", como se estivesse invocando o grande médium, detalhe: depois dele ter morrido. "Alô, Chico Xavier! Pode vir que nós tamos aqui de carne e osso".
"Depois que Partiste", apesar do título sugerir algo lírico, é uma das músicas mais revoltadas de Seu Correia, em que ele praticamente subverte tudo que existia de lírico e romântico na primeira faixa. Enquanto lá ele cantava "Que saudades da professorinha", aqui ele canta "Que saudades da professorinha, que andava no mato dando as calça pra todo mundo". A música já começa com ofensas ao nosso Ministro da Cultura: "Gilberto Gil, seu pederasta, depravado, energúmeno, vai beijar o Caetano Veloso, seu vagabundo leproso". Na ocasião, estava passando um especial da Tropicália na TV Cultura, e além disso, era época de horário político, então sobra até pro Maluf ("Maluf, seu desgraçado, filho da p..."), e para não perder a sua veia nonsense: "PMN 33, quer dizer Polícia Mastigada Nua".
Ah, e por último, como surgiu o nome Solavanco da Primavera?
Algumas sugestões:
Por que eu moro na Vila Primavera?
Como disse um amigo, tem uma conotação sexual, o Solavanco da Prima Vera?
Bom, quem foi o responsável pelo nome foi o Miller, que também foi responsável pela arte gráfica da capa.
Tinha uma época que fazíamos horas e horas jams de noise, eu e o João na guitarra e o Miller na bateria. Um dia, por um acaso, a gravação foi feita ao contrário, e o som ficou bem peculiar, o Miller ouviu e disse: "o que é isso? Parece um Solavanco da Primavera". Ficamos admirados e percebemos que iria ser o nome da nova banda que estava surgindo.
Integrantes:
Seu Correia - voz, supremo guru, inspiração primaveril, cancioneiro boêmio, paródias e gags humorísticas
Marcelo Scanzani - cavaquinho preparado, teclado, violão preparado, aspirador de pó e efeitos
João Arjona Jr - teclado, baixo, lixa, violão preparado, furadeira e efeitos
Faixas:
1 - No Alto da Montanha Verdejante - 11:41
2 - Alô, Chico Xavier! - 18:13
3 - Depois que Partiste - 18:20
Tempo total: 48:14
