domingo, 13 de abril de 2008

"Universo em Desencanto (Imunização Racional, Que Beleza!)" - Solavanco da Primavera (2004)



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Esse disco foi uma homenagem nossa à Cultura Racional, da qual o Tim Maia fez parte alguns anos, e que segundo eles, não é uma seita.
A Cultura Racional não pede que você vá a templos nem tem rituais, a única coisa que basta é você ler e reler os 1006 (!!!) livros.
Quando li o livro pela primeira vez, fiquei tão chocado com a tamanha criatividade do livro, que passei por um bom tempo com bloqueio por causa disso.
Cheio de termos pomposos, o seu estilo é altamente marcante: "é preciso que se dê o troco a estes pirilampos quadrados que gostam de esquadrejar tudo com suas idéias de quadrados".
Todos os volumes foram escritos por Manoel Jacinto Coelho, que dizia estar sob inspiração do Racional Superior.
Eles dizem que primeiro veio a vegetação, depois a lua e depois começou a chover.
Dizem também que no começo os seres humanos se comunicavam por meio de gestos, depois começaram a grunhir, depois a grungunar, depois a gaguejar. Na fase da gagueira, começaram a ressecar a garganta, foi aí que começou o uso da água.
Segundo a Cultura Racional, a pessoa que lê e relê os livros alcança a Imunização Racional, e quando voltar a nascer, não nascerá aqui, e sim na Planície Racional, que foi de onde todos nós viemos.
Leia mais para aprender sobre a resina e a goma, que a terra é uma bicheira, etc.
Os livros, em certo momento, começam a falar sobre discos voadores, e em seus cartazes também são mostrados exus, inclusive eles criticam duramente o espiritismo, que quer dizer experiência, espeto, etc.

Faixas:
01 - O delírio será maravilhoso - 8:20
02 - Enigmas e Talismãs - 4:09
03 - Lama - 5:25
04 - A Resina e a Goma - 6:32
05 - Energia Racional - 3:20
06 - Pirilampos Quadrados - 13:58
07 - Multidões de Mosquitos - 5:11
08 - Descompressão - 0:18
09 - Reinos da Bicharada - 3:32
10 - Conclusão - 4:22
Tempo total: 55:12

Integrantes:
Marcelo Scanzani - teclado, voz (exceto nas faixas 7 e 8)
João Arjona Jr - guitarra, voz (faixas 7 e 8)

(Todas as letras são trechos do vol. 1 do livro "Universo em Desencanto", exceto faixas 7 e 8, de autoria de João Arjona Jr.
Quase toda a música é de autoria do Solavanco da Primavera. "Reinos da Bicharada" inclui a Nona Sinfonia de Beethoven como música incidental
Participação de Dona Madalena, mãe do João, na faixa 10, pedindo para abaixar o som.
Gravado nos estúdios J em dezembro de 2004)

Agradecimentos: Manoel Jacinto Coelho, Tim Maia e a Cultura Racional

domingo, 6 de abril de 2008

"Jô & Wilza" - Solavanco da Primavera (2003)





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O que o primeiro disco auto-intitulado do Solavanco da Primavera tinha de concentrado e confuso, esse tem de esparso e disperso.
É um disco que lembra a estrutura de muitos discos de rock progressivo dos anos 70,
onde cada lado era ocupado por uma única grande faixa.
Esse segundo disco é um dos preferidos do João, enquanto eu gosto mais do primeiro.
Pelo menos na minha parte, tentei ser contido, e quando chegasse perto de um ápice sonoro, cortar abruptamente. E o João conseguiu criar um som que lembra um pouco o Walter Smetak, músico brasileiro vanguardista adepto do microtonalismo, ou seja, ao invés de ter apenas uma escala de dó até si, o microtonalismo cria uma escala inteira do dó até o ré, gerando um som que para ouvidos inexperientes pode ser bastante incômodo.
Eu toquei um violão preparado que eu costumo chamar de violão-cítara, e é composto de apenas três cordas, as duas mais graves afinadas na mesma nota, para fazer uma base de uma nota só, algo comum na música indiana, e uma corda mais aguda, que é a corda sol, que trasteja bastante, fazendo aquele som contínuo também comum na música indiana. Porém, a suíte "Jô & Wilza" não tem quase nada que lembre música indiana, só nos últimos minutos da segunda parte. Além disso, nesse violão eu coloquei pregadores dentro dele, que chacoalhando ele faz um som interessante de percussão, pois é madeira com madeira.
O João utilizou uma guitarra que ele diz que o Thurston Moore do Sonic Youth costuma usar bastante para fazer ruídos, pois tem uma extensão grande depois que elas são presas, e esse trecho é ótimo para fazer esse tipo de ruídos. Ele usou arco de violino tocando nesse trecho em quase todo o disco e criou a maior parte das ambiências e texturas do disco, além dele tocar quase toda a parte que é microtonal.
Eu também usei arco de violino no violão, mas somente em alguns trechos, como em um dos trechos mais barulhentos da segunda parte.
Esse disco foi gravado em uma tarde, em take único, sem overdubs.
A terceira música, que foi separada em outro download pelo fato do disco ter mais de 100 mb (o disco todo tem quase 70 minutos), é a "Crepúsculo", com 30 minutos, tem a participação de Seu Correia, que está meio rouco nesta gravação e ela parece ser um pouco crepuscular, daí o nome, que continua com seu jeito iconoclasta de ser: "Seu cachorro, as mulheres tem que ser bem tratadas. Dê criolina para beber na hora do almoço". Em boa parte da música eu e o João procuramos fazer um som percussivo nos instrumentos, algo que lembra um pouco uma sessão de batuque ao entardecer.
Ah, sobre o nome do disco, mostramos para um amigo nosso que disse: "Nossa, isso parece um colchão de molas". Ouviu mais um pouco e disse: "Parece um colchão de molas com um casal transando". Ouviu mais um pouco e disse: "Parece um colchão de molas com um casal transando e é um casal de dois gordos". Começamos a pensar em algum casal gordo... Jô Soares e Wilza Carla? Por que não? Juntando os nomes temos um nome que é difícil pronunciar rapidamente, tendo cinco sons de vogais juntos: "Jô & Wilza".

PS: ainda não consegui escanear a capa, por isso por enquanto esse está sem capa.

Faixas:
1 - Jô & Wilza (Parte I) - 18:30
2 - Jô & Wilza (Parte II) - 19:57
3 - Crepúsculo - 30:03
Tempo total: 68:30

Integrantes:
Marcelo Scanzani - violão preparado em todas as faixas, cavaquinho na faixa 3
João Arjona Jr - guitarra preparada nas faixas 1 e 2, violão preparado na faixa 3
Seu Correia - voz na faixa 3

domingo, 30 de março de 2008

"Solavanco da Primavera" - Solavanco da Primavera (2002)




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Este é disco que está no meu coração, é um dos meus discos preferidos e que eu mais tenho orgulho de ter feito.
Ficou praticamente do jeito que eu queria, e foi feito com tudo que eu acreditava e acredito, em matéria de caos, espontaneidade e experimentação. Meu objetivo ao fazer o disco era procurar fazer o som mais irritante e incômodo possível e com menos nexo possível, tentando manter ausentes toda melodia, harmonia e ritmo possíveis, e o mais atonal possível. Foi uma grande sorte encontrar o João para topar esta viagem musical. Mas o que possibilitou que o Solavanco da Primavera fosse não apenas mais uma banda experimental, como existem várias pelo mundo, foi o humor, a genialidade, o nonsense e a iconoclastia de Seu Correia.
Um motivo de orgulho é que, ao contrário de vários outros discos que eu fiz, este nunca foi considerado como "legalzinho", "mais ou menos"; as opiniões sempre foram as mais extremas possíveis, veja alguns depoimentos:

"Isto é uma obra-prima. Mutantes é fichinha perto disso." (Gustavo, do selo de noise n0-age)

"Isto é a maior porcaria que eu já ouvi na minha vida." (Roberto Godinho, amigo do trabalho)

"Com esse disco, eu aprendi um novo significado para o termo 'sem concessões'." (Humberto Bulhões, vocalista da banda JunkBonds)

"Foda!" (Guilherme Barrella, Peligro Discos)

"Obrigado pela experiência" (Juan de La Torre, guitarrista da banda L'Aventura)

"Solavanco da Primavera é que nem bosta. O gosto é forte, mas nunca mais se esquece." (Saulo, ex-vocalista e guitarrista da banda Hatersonics)

As sessões foram gravadas no quarto da casa do João, quando Seu Correia estava presente. Seu Correia estava cantando músicas da velha guarda, de nomes como Nelson Gonçalves e Ataulfo Alves, quando eu vi um cavaquinho pendurado num lugar, e um arco de violino no outro, peguei o cavaquinho e o arco de violino, comecei a tocar, tentando fazer uma base caótica e atonal para acompanhar Seu Correia cantando, e aí eu sugeri para o João: "grava aí esse lance". O João começou a tocar teclado e saiu a primeira música deste disco: "No Alto da Montanha Verdejante".
Para "Alô, Chico Xavier!", ligamos o pedal de guitarra na voz do Seu Correia, e colocamos o efeito de eco, no que eu coloquei fazer sons de suspense no teclado, que Seu Correia interpretou como algo meio esotérico, sobrenatural e misterioso e veio o nome da música: "Alô, Chico Xavier!", como se estivesse invocando o grande médium, detalhe: depois dele ter morrido. "Alô, Chico Xavier! Pode vir que nós tamos aqui de carne e osso".
"Depois que Partiste", apesar do título sugerir algo lírico, é uma das músicas mais revoltadas de Seu Correia, em que ele praticamente subverte tudo que existia de lírico e romântico na primeira faixa. Enquanto lá ele cantava "Que saudades da professorinha", aqui ele canta "Que saudades da professorinha, que andava no mato dando as calça pra todo mundo". A música já começa com ofensas ao nosso Ministro da Cultura: "Gilberto Gil, seu pederasta, depravado, energúmeno, vai beijar o Caetano Veloso, seu vagabundo leproso". Na ocasião, estava passando um especial da Tropicália na TV Cultura, e além disso, era época de horário político, então sobra até pro Maluf ("Maluf, seu desgraçado, filho da p..."), e para não perder a sua veia nonsense: "PMN 33, quer dizer Polícia Mastigada Nua".

Ah, e por último, como surgiu o nome Solavanco da Primavera?
Algumas sugestões:
Por que eu moro na Vila Primavera?
Como disse um amigo, tem uma conotação sexual, o Solavanco da Prima Vera?

Bom, quem foi o responsável pelo nome foi o Miller, que também foi responsável pela arte gráfica da capa.
Tinha uma época que fazíamos horas e horas jams de noise, eu e o João na guitarra e o Miller na bateria. Um dia, por um acaso, a gravação foi feita ao contrário, e o som ficou bem peculiar, o Miller ouviu e disse: "o que é isso? Parece um Solavanco da Primavera". Ficamos admirados e percebemos que iria ser o nome da nova banda que estava surgindo.

Integrantes:
Seu Correia - voz, supremo guru, inspiração primaveril, cancioneiro boêmio, paródias e gags humorísticas
Marcelo Scanzani - cavaquinho preparado, teclado, violão preparado, aspirador de pó e efeitos
João Arjona Jr - teclado, baixo, lixa, violão preparado, furadeira e efeitos

Faixas:
1 - No Alto da Montanha Verdejante - 11:41
2 - Alô, Chico Xavier! - 18:13
3 - Depois que Partiste - 18:20
Tempo total: 48:14

domingo, 23 de março de 2008

"Chaotic Sound System" - Chaotic Sound System (2002)



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Chaotic Sound System é uma banda formada com o intuito de tocar noise rock psicodélico em músicas próprias com letras, na maioria, em português influenciadas pelo surrealismo e pela poesia concreta.
Destas músicas, "Space Girl" foi a primeira música que eu compus, e como eu ainda não tinha segurança para escrever letras em português, fiz a letra em inglês, procurei fazer algo psicodélico e pop ao mesmo tempo. "Casa Azul" foi escrita logo depois, e assim como "Fim de Tarde" foram poesias que eu já havia escrito há algum tempo e percebi que poderiam ser encaixadas em músicas que eu estava compondo a partir de experiências com a guitarra que eu estava fazendo na época. "Casa Azul" tem um acorde constante em quase toda a música, esse acorde é um E4 (Mi com quarta) tocada com todas as cordas soltas, exceto a terceira e a quarta que ficam presas na casa 9. "Fim de Tarde" foi uma experiência de fazer uma música com quase que só uma nota, variando mais as suas dinâmicas, e é feita abafando uma casa mais aguda na corda mi mais grave. Dizem que lembra Queens Of the Stone Age.
"Dia Frio" é de composição de Bruno Correia, que usava músicas com seqüências de notas mais complexas, onde eu noto que há uma influência de Trail Of Dead. "Turn Of My Dreams" é uma cover da banda Dog School e foi sugerida por Bruno Correia, que inclusive fez o arranjo da música.
"Chaotic Sound System" foi composta instantaneamente, e foi gravada para mostrar algo que é bastante presente em nossos shows, que são as noise sessions, e dá pra se notar como Sonic Youth é uma grande fonte de inspiração para nós. O técnico de som colocou alguns ecos nas vozes e nos instrumentos que não foram sugeridos, mas que acabaram ficando com um resultado final interessante, inclusive com uns gritos que parecem heavy metal.
Este disco foi gravado para ser a nossa demo.

Faixas:
1 - Casa Azul (Marcelo Scanzani) - 3:03
2 - Turn of My Dreams (cover da banda Dog School - arranjo Bruno Correia) - 2:51
3 - Dia Frio (Bruno Correia) - 3:37
4 - Space Girl (Marcelo Scanzani) - 3:17
5 - Fim de Tarde (Marcelo Scanzani) - 2:45
6 - Chaotic Sound System (Marcelo, Bruno, Guilherme, João) - 8:38

Integrantes:
Marcelo Scanzani - guitarra e voz nas faixas 1, 4 e 5, vocais na faixa 6
Bruno Correia - guitarra e voz nas faixas 2 e 3, vocais na faixa 6
João Arjona Jr - baixo
Guilherme Shiguero - bateria, vocais na faixa 6
Platéia - vocais na faixa 6

Gravado no estúdio Banana Boom, em 2002

domingo, 16 de março de 2008

Pague o quanto quiser... se quiser...

Pessoal,

Por influência da idéia que o Radiohead teve, da pessoa pagar o quanto quiser por seu disco, estou fazendo da mesma forma.
Como a internet é mais prática para disponibilizar os meus discos, decidi colocar todos disponíveis para download. Você pode baixar os discos à vontade, se gostar (quantas vezes vc. gastou dinheiro em um cd e depois não gostou?) e/ou acha que o artista merece receber pela sua obra, por seu trabalho, faça um depósito de qualquer valor em:

Banco Bradesco
Ag: 102-3
C/C: 0056886-4
Marcelo Scanzani Serra / Soelli Scanzani Serra

Mande-me também um e-mail (marceloscan@hotmail.com) dizendo para qual disco o valor depositado é correspondente.

Obrigado,
Marcelo Scanzani Serra

"Meu Coração é Brega" - Olhos de Guaxinim (2002)



O destaque desse primeiro disco do Olhos de Guaxinim é a versão noise rock de 18 minutos do clássico "Garçon" do Reginaldo Rossi. E coloca noise nisso! É uma versão bastante barulhenta e psicodélica. Gravei-a em um momento de fúria, após o término de um namoro de três anos e meio. Liguei para o João, pessoa que tive uma grande sorte de encontrar, pois é uma das poucas pessoas que entende as loucuras sonoras que eu quero fazer, e disse: "Vamos marcar amanhã de fazer um som, mas se prepara porque vai ser muito barulhento, porque estou com muita raiva". E apesar do som estar bem cheio, é apenas voz, uma guitarra e uma bateria. Em parte isso é porque o estúdio dele tem paredes de pedra, que amplifica o som, ao invés de abafar.
A estrutura do disco lembra dos álbuns de rock progressivo e heavy metal dos anos 70, como "In a Gadda-Da Vida", do Iron Butterfly, que tem seis músicas, sendo que no lado A tem cinco músicas, e no lado B, tem só uma música, imensa. Nesse caso, o disco tem pouco mais de 40 minutos, mas só a versão de "Garçon", tem quase a metade, 18 minutos.
Em todo o disco há apenas uma guitarra e bateria, sem baixo. Em todas as músicas, exceto na primeira, na qual eu toco bateria, sou eu quem canto e toco guitarra; e o João toca bateria em todas as faixas, exceto na primeira em que ele canta e toca guitarra.
O disco também tem uma versão da "Menina Veneno", do Ritchie, que começa pop rock, vira reggae, depois ska e finalmente heavy metal, tem uma versão da "Me Dê Motivo", do Tim Maia; tem duas músicas do Falcão, "Holliday Foi Muito", mais conhecida pelo refrão "porque homem é homem, menino é menino, macaco é macaco, e viado é viado"; e também "Quanto Mais Principalmente", e ainda, uma versão valsa-hardcore de "As Rosas Não Falam", do Cartola, que também foi regravada pelo Nelson Gonçalves.
O ano de 2002 foi um ano bem profílico para mim. Criei três bandas e gravei um cd com cada uma delas: Chaotic Sound System, banda de noise rock psicodélico com músicas próprias; Solavanco da Primavera, banda de música experimental improvisada e Olhos de Guaxinim, versões rock de músicas bregas.
Este primeiro disco do Olhos de Guaxinim foi gravado em apenas uma sessão bem espontânea, e como algumas versões ficaram interessantes, decidimos juntar tudo em um álbum.
Infelizmente, a qualidade de gravação está precária, pois foi gravado primeiro em fita cassete, e depois passado para formato digital.

Faixas:
1 - Me Dê Motivo (Tim Maia) - 7:17
2 - Holliday Foi Muito (Falcão) - 3:03
3 - Menina Veneno (Ritchie) - 5:31
4 - Quanto Mais Principalmente (Falcão) - 5:43
5 - As Rosas Não Falam (Cartola) - 1:34
6 - Garçon (Reginaldo Rossi) - 18:10
Tempo total: 41:18

Ficha Técnica:
Marcelo Scanzani - guitarra e voz em todas as faixas, exceto na faixa 1; bateria na faixa 1
João Arjona Jr - bateria em todas as faixas, exceto na faixa 1; guitarra e voz na faixa 1

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sábado, 16 de fevereiro de 2008

"Scanzani" - Scanzani (2001)



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Começa aqui a série de discos meus para download. Como participei de discos de várias bandas e projetos, achei melhor unir em um lugar só, para que ficasse fácil quando alguém pedir para ouvir os meus discos.

Este foi o primeiro disco que eu gravei, antes de conseguir arrumar pessoas para formar uma banda. Já tinha várias idéias na cabeça, e a vontade de deixar registrado em disco minhas músicas, fez com que eu fizesse absolutamente tudo nesse disco: composição, arranjo, execução. É todo com músicas próprias e é inteiramente instrumental. Eu ia gravando as músicas por pistas, por exemplo, gravava primeiro a guitarra, depois a bateria, depois o baixo (eu nunca gravava a bateria primeiro). E apesar de eu não saber tocar muito bateria, eu queria fazer viradas complexas... É mais ou menos como um punk querendo tocar rock progressivo.

Lembro de algumas inspirações que eu tinha na época: o noise e a música experimental, uma constante em meu trabalho, aparece principalmente em "Ambient Noise" e "KfeiNne Too"; o dedilhado de violão na "Someday In Never" foi inspirado no rock progressivo / psicodélico; o ambient em "Electric Ecstatic Landscape" e "Ambient Noise"; e o nome "KfeiNne Noise" é devido ao fato de que na época eu estava tomando muito café. Porém, acho interessante parar por aqui, para deixar vcs. irem imaginando e tirarem suas próprias conclusões.

Ficha Técnica:
Marcelo Scanzani - teclado
Todas as músicas compostas, produzidas, executadas e gravadas por Marcelo Scanzani.
Gravado em casa no ano de 2001.

Faixas:
1 - Us (2:23)
2 - Rustic Folk (2:45)
3 - Someday In Never (2:51)
4 - Electric Ecstatic Landscape - (4:12)
5 - KfeiNne Noise (2:32)
6 - KfeiNne Too (2:43)
7 - Abstract Groove (2:04)
8 - Chaos (1:38)
9 - Ambient Noise (3:53)
10 - Melancholy's Trip (5:03)
11 - (1:26)
12 - (0:48)