domingo, 6 de abril de 2008

"Jô & Wilza" - Solavanco da Primavera (2003)





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O que o primeiro disco auto-intitulado do Solavanco da Primavera tinha de concentrado e confuso, esse tem de esparso e disperso.
É um disco que lembra a estrutura de muitos discos de rock progressivo dos anos 70,
onde cada lado era ocupado por uma única grande faixa.
Esse segundo disco é um dos preferidos do João, enquanto eu gosto mais do primeiro.
Pelo menos na minha parte, tentei ser contido, e quando chegasse perto de um ápice sonoro, cortar abruptamente. E o João conseguiu criar um som que lembra um pouco o Walter Smetak, músico brasileiro vanguardista adepto do microtonalismo, ou seja, ao invés de ter apenas uma escala de dó até si, o microtonalismo cria uma escala inteira do dó até o ré, gerando um som que para ouvidos inexperientes pode ser bastante incômodo.
Eu toquei um violão preparado que eu costumo chamar de violão-cítara, e é composto de apenas três cordas, as duas mais graves afinadas na mesma nota, para fazer uma base de uma nota só, algo comum na música indiana, e uma corda mais aguda, que é a corda sol, que trasteja bastante, fazendo aquele som contínuo também comum na música indiana. Porém, a suíte "Jô & Wilza" não tem quase nada que lembre música indiana, só nos últimos minutos da segunda parte. Além disso, nesse violão eu coloquei pregadores dentro dele, que chacoalhando ele faz um som interessante de percussão, pois é madeira com madeira.
O João utilizou uma guitarra que ele diz que o Thurston Moore do Sonic Youth costuma usar bastante para fazer ruídos, pois tem uma extensão grande depois que elas são presas, e esse trecho é ótimo para fazer esse tipo de ruídos. Ele usou arco de violino tocando nesse trecho em quase todo o disco e criou a maior parte das ambiências e texturas do disco, além dele tocar quase toda a parte que é microtonal.
Eu também usei arco de violino no violão, mas somente em alguns trechos, como em um dos trechos mais barulhentos da segunda parte.
Esse disco foi gravado em uma tarde, em take único, sem overdubs.
A terceira música, que foi separada em outro download pelo fato do disco ter mais de 100 mb (o disco todo tem quase 70 minutos), é a "Crepúsculo", com 30 minutos, tem a participação de Seu Correia, que está meio rouco nesta gravação e ela parece ser um pouco crepuscular, daí o nome, que continua com seu jeito iconoclasta de ser: "Seu cachorro, as mulheres tem que ser bem tratadas. Dê criolina para beber na hora do almoço". Em boa parte da música eu e o João procuramos fazer um som percussivo nos instrumentos, algo que lembra um pouco uma sessão de batuque ao entardecer.
Ah, sobre o nome do disco, mostramos para um amigo nosso que disse: "Nossa, isso parece um colchão de molas". Ouviu mais um pouco e disse: "Parece um colchão de molas com um casal transando". Ouviu mais um pouco e disse: "Parece um colchão de molas com um casal transando e é um casal de dois gordos". Começamos a pensar em algum casal gordo... Jô Soares e Wilza Carla? Por que não? Juntando os nomes temos um nome que é difícil pronunciar rapidamente, tendo cinco sons de vogais juntos: "Jô & Wilza".

PS: ainda não consegui escanear a capa, por isso por enquanto esse está sem capa.

Faixas:
1 - Jô & Wilza (Parte I) - 18:30
2 - Jô & Wilza (Parte II) - 19:57
3 - Crepúsculo - 30:03
Tempo total: 68:30

Integrantes:
Marcelo Scanzani - violão preparado em todas as faixas, cavaquinho na faixa 3
João Arjona Jr - guitarra preparada nas faixas 1 e 2, violão preparado na faixa 3
Seu Correia - voz na faixa 3

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